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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Se você me perguntar qual o segredo do Mau, nunca vou lhe contar.
Não se eu estiver sóbrio.
Mau vai correr atrás de você e, até mesmo, da sua família, achando que você contou pra todos a sua volta.
Ainda estou no Rio. E até consegui arranjar um hotel perto do restaurante que estou trabalhando.
Antes de tudo, eu sei sim cozinhar. Mamãe me ensinou tudo o que sei. Desde um ovo frito até um bolo super enfeitado com glacê e tudo mais.
Estou até conhecendo uma menina que se engraçou pro meu lado quando fui rapidamente ao balcão. Ela estava lá, quieta, olhando para o café e quando me viu, ela sorriu.
Ela me deu o número de seu celular e liguei pra ela agora pouco.
Ela disse que iria estar no restaurante amanhã, mas disse que queria me ver sem uniforme, para ver se eu valia a pena.
Mas estou com medo dela gostar de mim ou se eu gostar dela, pois Mau ainda pode estar atrás de mim, e se ele soubesse que estou gostando de alguém, iria querer acabar com a vida desse alguém em um instante.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
Sinto muito por não ter contado o que aconteceu naquele dia: eu estava no hospital.
O Mau entrou na casa da menina que me ajudou e nos ameaçou e, depois de uma breve discussão entre eu e ele, o Mau atacou a menina que tinha me dado uma cama.
Ele rasgou os braços dela, deixando-a sangrar até a morte dentro do próprio quarto. Ele tinha colocado algo pesado na frente da janela, por isso ela não tinha conseguido fugir.
Ela ficou agonizando, até que não aguentou e parou de respirar.
Enquanto ele estava no quarto com ela, eu tentei fugir: peguei minha mochila em cima do sofá e sai correndo pela rua, sem nem saber pra onde ir.
Para minha surpresa, Mau tinha levado uma arma junto com seu punhal.
Ele atirou em minha direção e acertou minha perna, fazendo-me mancar até o meio da encruzilhada.
Por sorte, uma viatura que estava passando por ali, me viu. Os dois policias me colocaram dentro do carro, um ficando para cuidar do meu ferimento, o outro correu atrás do Mau.
Mas o Mau atirou no policial e depois ainda atirou na viatura, tentando me acertar.
Quando acordei no hospital ontem, a enfermeira me disse que tinham ligado para minha tia para ela ir me buscar.
Na primeira oportunidade, coloquei minhas roupas normais, mesmo elas estando meio ensanguentadas, e sai correndo do hospital porta a fora.
Fui para uma avenida super movimentada e pedi carona e um caminhoneiro me ajudou, me trazendo até aqui, no Rio de Janeiro, onde estou agora.
Não sabia como iria sobreviver sem casa, nem comida.
Mas uma senhora me deixou deixou dormir em frente da sua casa e até me trouxe um café da manhã bastante bom.
Tive sorte de ela ser uma senhora antenada nos tempos de hoje, pois ela tinha um Wi-Fi dos bons.
Agora me sinto um pouco mais seguro, sabendo que, talvez, o Mau não tivesse como me seguir até aqui.
Mas não sabemos até onde ele pode ir para matar quem sabe do seu segredo.
Mamãe sabia, e morreu.
Eu sou o próximo da lista.
Continua...
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Acordar está se tornando uma das tarefas mais difíceis para mim.
Sempre levanto e olho tudo ao meu redor, com medo do Mau já estar perto de mais.
Agora, tenho uma cama.
Alguém que leu as minhas primeiras palavras está me ajudando. Não sei o nome dela, só sei que ela me ajudou, e sou muito grato por isso.
Ela me disse que aqui na casa dela tem câmeras e que o Mau não vai mais vir atrás de mim. Fiquei mais aliviado depois disso, mas ninguém sabe do que o Mau é capaz.
Ontem eu fui até o parquinho que tem ao lado da casa que estou agora e fiquei lá, sentado no balanço, pensando sobre a minha vida.
Percebi que a minha vida era ótima até os dose anos de idade. Mamãe e eu sempre iamos ao parque, ao shopping. Eramos felizes.
Por que ela tinha de trazer o Mau para casa?
Será que ela estava infeliz vivendo uma vida somente com seu filho? Ou será que foi o Mau que a seduziu?
Isso eu não posso responder.
Só sei que não posso me descuidar mais.
Quando estava voltando do parquinho, vi um homem de capuz na esquina da rua olhando para mim. Corri para dentro da minha casa temporária e disse para menina que me salvou que o Mau estava lá fora, e que ele iria me matar se chegasse mais perto.
A menina não acreditou e mim e foi abrir a porta, como se fosse mostrar que não tinha ninguém lá fora.
Mas tinha.
O Mau estava com os pés no tapete da entrada e puder ver nitidamente quando ele puxou um punhal de dentro do bolço e entrou na casa, ameaçando nós dois.
A menina que me ajudou mora sozinha com uma amiga e essa amiga não estava em casa naquele momento para nos ajudar.
Era eu, ela e o Mau.
Continua...
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Oi.
O Enzo não sabe que estou usando o Blog dele para contar a minha história. Mas quando ele descobrir, não vai saber onde estou.
Eu sou o Zizo. Moro aqui em São Paulo. Mas não posso falar exatamente onde estou pois tenho medo dele vim atrás de mim.
Não estou falando do Enzo. Estou falando dele. O Mau.
Minha mãe me falava que o mau perseguia ela também. Sempre que eu visitava ela no manicômio ela me falava que eu tinha que tomar cuidado. Sempre tomei cuidado, mas uma hora me descuidei.
O Mau está atrás de mim e agora não tenho mais escolha a não ser me esconder para sempre.
Desde meus doze anos, mamãe sempre estava com o Mau do lado dela. Depois, quando tinha treze, mamãe trouxe o mau para casa de uma vez por todas.
Nunca consegui olhar o Mau nos olhos e nunca vou consegui fazer isso. O Mau é bonito por fora, mas horrível por dentro.
Mau começou a mostrar como ele realmente era quando eu fiz quatorze anos. Mau começou a machucar a mamãe e sempre quando eu perguntava para mamãe por que o olho dela estava roxo, ela me dizia que eu estava vendo coisas.
O Mau batia nela. Ele machucava ela.
E quando fiz quinze anos ele começou a me machucar também.
Quando eu quebrei uma xícara que ele tinha ganhado de um amigo, ele me deu um tapa que ficou a marca de seus dedos na minha bochecha durante dois dias. Foi essa a primeira vez que ele me bateu.
Depois ele me espancava na frente da minha mãe e até batia em nós dois ao mesmo tempo.
Até que um dia eu peguei uma panela e taquei na cabeça dele, fazendo ele cair no chão. Bati mais ainda nele e ele começou a sangrar.
Nesse tempo em que ele foi expulso de casa pela justiça, eu consegui ir para a escola como uma pessoa normal e mamãe conseguiu voltar a trabalhar.
Mas um dia ela voltou pra casa falando que o Mau estava perseguindo ela e que nós não estávamos mais protegidos.
A família falou que ela estava louca e então internou ela no manicômio.
Ontem me avisaram que ela morreu.
Disseram que encontraram ela enforcada debaixo de uma arvore e no bolso de sua blusa tinha um bilhete direcionado a mim, falando: "Corra. Corra o mais rápido que puder. Fuja. Fuja para o mais longe possível. Se proteja. Se proteja com o mais forte dos escudos. E se ele te achar, se defenda. Se defenda usando a mais afiada das espadas."
O Mau está atrás de mim assim como ele estava atrás de mamãe.
Mamãe não está viva para me proteger. Nem conheci papai para falar se ele pode enfrentar o Mau. Minha família não acredita em mim e querem me colocar no manicômio.
Por isso fugi da casa da minha tia.
Mas o Mau já me encontrou. E se ele chegar mais perto, eu morro.
Só você pode me ajudar. Só você, que está lendo isso, pode me ajudar a me livrar do Mau.
Me ajude.
Continua...
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